A História

A história da fundação do Mosteiro Cisterciense de Claraval se mistura com a história da cidade.
Tudo começou quando o Bispo de Guaxupé, D. Hugo Bressane visitava Roma e foi até o Mosteiro de Casamari (Itália).
Lá ele expôs a D. Nivardo Buttarazzi, abade do mosteiro na época, sua intenção de ter na sua diocese uma comunidade de religiosos, sugerindo como lugar de instalação a vila de Garimpo das Canoas.
Garimpo das Canoas era distrito de Ibiraci, e é como era conhecida Claraval, antes de sua emancipação - possuía em 1950 cerca de 4000 habitantes,sendo uma economia agrária, já que a maioria da população era rural, o comércio era dominado pelos sírio-libaneses.
Assim D. Nivardo gostou da idéia de mandar para o Brasil os seus monges para abrir uma nova sede.
Então em 1950 chegava a Garimpo das Canoas os monges cistercienses destinados a esta paróquia: o prior Pe. Pedro Agostini, Pe. Justino, Pe. Carmelo e Ir. Nivardo.
Um dos primeiros problemas que os monges enfrentaram ao chegar no Brasil foi o idioma, já que não falavam nada em português, o clima também foi outro problema, entre outros como: precariedade das instalações, falta de saneamento básico, falta de mão-de-obra especializada e materiais de construção. Já que a vila era muito pobre, ela dependia de outras cidades, para adquirir materiais e pessoal para a construção do mosteiro.
A pedra fundamental do mosteiro foi lançada em 1951 e no ano seguinte começaram os trabalhos de fundação.
A parte do porão do mosteiro foi construído com pedras do próprio morro onde ele foi construído, pedras de mais de três toneladas retiradas na mão, pois na época adquirir maquinas era muito difícil.
Os tijolos foram feitos no próprio local, assim como todos os elementos decorativos. Não havia mão-de-obra especializada e os próprios paroquianos ajudaram na construção dirigida por Francisco Miglioranza. De modo geral todas as dificuldades foram vencidas pelo ânimo dos monges e principalmente dos moradores.
Em março de 1969, o Mosteiro é inaugurado e já se encontra em condições de receber e hospedar os primeiros jovens que desejavam seguir a vida monástica cisterciense.
A vinda dos monges para a cidade ajudou muito no seu desenvolvimento. D.Pedro Agostini foi quem fez a proposta de emancipação do distrito de Canoas, que em 1954 tornou-se município, passando a se chamar Claraval, nome da famosa Abadia que São Bernardo fundou na França. Em 1970, com a ajuda da Alemanha os monges deram início a perfuração do poço artesiano e também a energia elétrica foi conseguida pelo pintor e monge D Agostinho Caputi, que presenteou o governador de Minas Gerais, na época J.K. ,com uma de de suas telas, impressionado J.K. recompensou Caputi com a instalação da energia elétrica em Claraval e por fim os monges construíram o prédio onde hoje funciona o hospital (ambulatório) da cidade.
A Santa Sé examinando as circunstâncias, as condições físicas e os recursos humanos disponíveis, nomeia (pelo Papa Paulo VI) o primeiro Abade para Claraval, D. Giuseppe Pietro Agostini, tendo como Prior Padre Carmelo Récchia. E em 30 de novembro de 1969 D. Ângelo Neto, Arcebispo de Pouso Alegre-MG, instala solenemente a nova Abadia Nullius de Claraval.
Foram acolhidos no ano em que foi inaugurado o Mosteiro de Claraval vinte e três jovens, todos pertencendo a regiões próximas e com graus de conhecimento diferenciados. Surgiram várias dificuldades, principalmente em relação aos estudos que deveriam ser ministrados a estes jovens. A solução apresentada foi mandar estes jovens estudarem em Franca-SP. Porém, muitas outras dificuldades foram surgindo, pois era preciso levá-los todos os dias e a estrada estava ainda sem asfalto.
Foi organizado então o Seminário São Bernardo do Mosteiro de Claraval sob a orientação de um monge vindo da Abadia de Casamari (Itália), para servir como primeiro Reitor daquele Instituto. Então em 9 de dezembro de 1972 chega ao Mosteiro, vindo da Itália, o Padre Mauro Cavallo para formar os futuros candidatos à vida monástica.
Neste ano, devido à precariedade da saúde de D. Pedro, o Papa Paulo VI nomeia Padre Carmelo Récchia Administrador Apostólico, tendo já D. Pedro partido para a Itália a fim de tratar-se. E no dia 4 de janeiro de 1973 morre D. Pedro.
No dia 7 de dezembro de 1976, Padre Carmelo Récchia é nomeado e em 25 de março de 1977 é sagrado Abade. Em 1999 renuncia e a Santa Sé nomeia D. Orani João Tempesta como Administrador Apostólico e Padre Mauro Cavallo se torna Prior do Mosteiro. Em 2002 houve a extinção do título de Abadia Territorial. O Mosteiro de Claraval tem hoje Padre José Carlos Carvalho como Prior e a Igreja pertence como Paróquia à Diocese de Guaxupé-MG. Atualmente, no Brasil se têm cinco mosteiros cistercienses masculinos, três femininos e um mosteiro Cisterciense da Estrita Observância, os Trapistas.